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Uma das leituras possíveis sobre o FSA



Vera Zaverucha

 

 

Para análise dos resultados do FSA nos anos de 2022 a 2023, analisei os seguintes editais a partir dos dados fornecidos pela ANCINE publicados em seu site.

Os valores aportados em cada edital podem ser vistos no quadro abaixo.

 


 

Uma das questões que tem sido colocadas por parte do setor audiovisual é que a distribuição de recursos não tem atendido a diversidade de empresas produtoras que fazem parte do ecossistema do audiovisual brasileiro.


Analisei os números a fim de perceber o que vem ocorrendo.


Alguns editais que foram lançados exclusivamente para novos realizadores e novas produtoras (nível 1 e 2) privilegiaram as produtoras de nível 1. Temos que levar em conta que os dados de pontuações disponíveis não são atuais, desta forma temos que levar em conta que muitas destas empresas que estavam no nível 2 podem ter migrado para níveis mais altos, o que de certa forma compromete esta análise.


Como são 5 níveis ao longo dos anos, vamos ver empresas migrando para os níveis 4 e 5, quando no momento dos editais eram nível 2 ou 3, por exemplo.


Levando em conta esta questão, que na verdade seria crucial para uma boa análise, segui interpretando os dados.

Nos níveis 4 e 5 estão concentrados os maiores aportes de recursos.


As empresas deste nível têm um perfil mais voltado para filmes comerciais, que precisam de mais aportes para conseguir chegar ao mercado. Precisam ter junto a elas distribuidoras, que ajudam no processo de finalização da obra, ou precisam de canais de televisão, que exigem novos padrões de qualidade e exigem muitas vezes interferências na criação.

 

E onde está a maior concentração nos dois níveis (4 e 5)?  No edital onde as distribuidoras escolhem os projetos. (CINEMA - Desempenho Comercial – Produtoras)


O que podemos perceber, no entanto é que empresas de nível 3 tem sido as mais prejudicadas. Com editais exclusivos para empresas de nível 1 e 2, e editais para empresas de mais porte, as empresas de nível 3 foram as espremidas e receberam apenas 13% dos recursos.

  


Sobre a regionalização, analisei dois quadros a seguir com os dados dos 4 editais, onde foi possível separar por nível e UF de cada produtora.

Se compararmos os 2 maiores eixos de produção (RJ e SP) com os demais estados, podemos perceber que nos estados fora do eixo RJ/SP a concentração se deu nos níveis 4 e 5.

 


 

Nos mesmos editais separando somente Rio de Janeiro e São Paulo vemos também esta mesma concentração. O que faz supor que as políticas públicas que vem sendo desenvolvidas pelo FSA vem permitindo que empresas fora deste eixo atinjam o nível máximo de pontuação, coisa que no início do seu funcionamento não ocorria.

Além disto, os maiores valores aportados foram fora do eixo RJ/SP e a média de recursos para cada projeto se manteve em todas as regiões em R$ 1.500.000.

 


Com a simples análise dos dados disponíveis vejo um equilíbrio nos valores destinados aos projetos fora do eixo Rio/ São Paulo e demais estados, o que vislumbra uma perspectiva de desenvolvimento nacional de nosso audiovisual.

Além disto, no que tange a concentração nos níveis 4 e 5, é normal e saudável que mais empresas alcancem estes níveis ao longo de seus anos de existência e financiamentos recebidos. No entanto há que se rever as normas para que as empresas de nível 3 não tenham tantos obstáculos para alcançarem os níveis superiores.

 

 

 

 

 

ADENDO

Quadro 5 - Projetos contratados de 2008 a 2019  por estado

 

 

 

 

Quadro 6- Projetos contratados de 2008 a 2022 por estado


Quadro 7 - Projetos contratados de 2022/2023



Podemos notar nestes dados recolhidos de tabelas disponibilizadas e consolidadas o resultado das escolhas dos projetos do FSA durante dois períodos. O primeiro os últimos editais lançados entre 2020 e 2023 e na tabela abaixo os resultados entre 2008 e 2019.


Houve uma evolução de aporte de recursos significativo nos últimos anos em projetos fora do eixo Rio e SP que antes concentravam 59,6% dos recursos e neste novo período concentram 43,9% dos recursos disponibilizados e selecionados.

Números são números. E podemos lê-los de várias formas. Aqui foi apenas uma tentativa de, com as informações disponibilizadas, constatar o que é possível extrair.

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SOBRE A VERA 

Com mais de 30 anos de experiência na área pública, Vera ocupou diferentes cargos nas principais instituições responsáveis pelas políticas públicas para o audiovisual e pelo financiamento do setor cinematográfico no Brasil
De forma didática e clara,
Vera consegue aproximar o conteúdo para diferentes públicos e ajudar aqueles que buscam se reciclar ou querem conhecer mais sobre a área. 

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