Arrasa quarteirão!


Quando um filme brasileiro ameaça a bilheteria do filme estrangeiro, o que acontece sucessivamente no nosso mercado, é uma prática impossível de provar, mas que há anos acontece.

O distribuidor estrangeiro, que é um intermediário entre os “donos” do filme e os exibidores, ameaça o exibidor com sua enorme força de pressão, ou seja o seu catálogo de filmes estrangeiros “blockbusters”. Aliás esse catálogo de filmes arrasa quarteirão vêm para ocupar novamente o nosso mercado de forma predatória, como o que estamos vendo no caso do DE PERNAS PARA O AR 3.

O exibidor que depende do distribuidor, cujo produto é controlado 90% por estúdios estrangeiros, fazem o jogo da grande indústria americana e tiram o filme brasileiro de sucesso de cartaz. Foi isso que aconteceu com o filme brasileiro cujo sucesso vinha lotando as salas de cinema, mas que em sua terceira semana foi retirado de pelo menos 300 salas para a entrada do "Blockbuster americano" - O Vingador, em 80% das salas brasileiras.

As diretrizes da OMC definem os produtos audiovisuais como não sujeitos às regras comuns do mercado, porque além de conterem valores de compra e venda, também contêm valores culturais. Desta forma são considerados produtos de exceção.

Ao Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (GATT), em sua Rodada do Uruguai de 1994, a França, com a divergência dos Estados Unidos, conseguiu inserir a cláusula da “exceção cultural” nas regras comerciais, excluindo o cinema e outros bens audiovisuais das suas disposições.

E em que a “exceção cultural” beneficia o setor?

A exceção visa a não liberalização dos serviços culturais. Com isso a “exceção cultural” passou a ser sustentada pelo conceito da diversidade cultural, respaldado pela UNESCO em sua Declaração Universal sobre Diversidade Cultural de 2001, que considera essa diversidade como “o patrimônio comum da humanidade e que deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações futuras”

E é nisto que a COTA DE TELA para o audiovisual brasileiro se baseia.

Com a força das empresas norte-americanas, que como disse acima, praticam uma espécie de monopólio cultural e econômico, ou dumping econômico e cultural, certamente temos matéria suficiente para que o CADE - Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Ancine- Agencia Nacional do Cinema , e os órgão de defesa do consumidor se pronunciem, face ao que está acontecendo com o nosso DE PERNAS PARA O AR 3!

Photo by Jordy Meow on Unsplash

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SOBRE A VERA 

Com mais de 30 anos de experiência na área pública, Vera ocupou diferentes cargos nas principais instituições responsáveis pelas políticas públicas para o audiovisual e pelo financiamento do setor cinematográfico no Brasil
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